Acordei e…

Hoje fiz algo que há muito não via e sentia. Acordei sem hora e nem despertador. Liguei o computador, mas dessa vez foi só pra ouvir aquele disco do Lenine que por falta de tempo estava abandonado desde o dia do download. Mesmo assim fiquei na cama, ouvindo o som, curtindo preguiça e aquela dorzinha gostosa que só sente quem fica deitado mais do que o normal. A rotina, repetição, obrigação e a prestação… elas matam a vida e consomem o presente de forma implacável. Quanto mais dias se conta, menos dias se tem. Mas que venha o seguinte, até mesmo porque o que já foi não oferece mais nada de bom além de análises e narrativas nostálgicas.

Nesses dias de hoje, de ontem e provavelmente amanhã: “A vida é tão rara…”

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Nós e o mundo

O mundo tem suas dinâmicas. As pessoas e suas características. Mas algumas pessoas são como notas musicais. Me sinto como uma nota musical fora da tom do mundo. Sou aquele incompreendido constante pela vida. Os outros quase sempre são a vida. Ser é uma atividade constantemente constituída de frustração. Não tente entender. Apenas seja.

Amizades

Se eu contar meus amigos, garanto que não uso todos os dedos de uma mão. Realmente eles são raros, alguns por motivos diversos deixam de compor a contagem, outros mesmo apesar dos pesares, ainda estão lá. A vida me levou por caminhos muito diversos, convivi com gente de todos os tipos, e minha existência conturbada e constantemente conflitante, contribuiu para formar algumas, e difinitivamente eliminar muitas ‘amizades’ que eu plantava confiança.
A grande massa considera que os amigos de fato são aqueles que representam algo em nossas vidas; aqueles que marcaram nosso comportamento ou então fizeram de nós pessoas melhores, e que por isso não nos esquecemos deles.
Neste sentido vejo que meus maiores amigos são de dois tipos: livros e filósofos. O primeiro tipo são coisas materias, corpos inanimados, objetos que propriamente em si não passam de um emaranhado de folhas de papel e sinais gráficos impressos nestas. Entretanto, estes objetos, foram grandes amigos em minha vida, suprimiram momentos de dor, de incerteza  e principalmente de dúvida.
O seguno tipo é um muito estranho. São pessoas, mas normalmente estão mortas, sem a menor possibilidade, por mais remota, de conhecê-los de fato. São seres distantes, teóricos, especulativos… Quem dera a vida na prática fosse só uma questão de aplicar um modelo interpretativo e seguir em frente…

Linux é difícil?

Não vou deixar o melhor pro final, por isso responderei a pergunta logo no começo: Linux não é difícil! Não há dificuldade especial ou grau de complexidade diferenciada em aprender Linux, é apenas um sistema operacional diferente do que você provavelmente conheceu primeiro e por isso acha estranho. Na verdade há mais preconceito do que verdade na afirmação de que Linux não presta, ou mesmo na de que é difícil de usá-lo.

Baseio esse pensamento em dois elementos: minha experiência pessoal com o sistema e com o ensino de informática. Trabalho como professor de informática há alguns anos, tendo trabalhado tanto com hardware quanto com software, neste tempo vivi o surgimento e mudança daquilo que hoje é chamado de tecnologia da informação, e percebi a mudança de cultura e entendimento da tecnologia, principalmente quando aos seus usos e possibilidades pelos mais jovens. As crianças por ainda não terem um sistema de avaliação complexo do mundo, normalmente conseguem enxergar de forma mais pura e sem preconceitos as novidades, assim acabam aprendendo e aderindo mais facilmente a usar as tecnologias. Os adultos por razões culturais, sociais, políticas e etc… acabam tendo mais dificuldades para compreender o novo.

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Dias, vida e felicidade…

Interessante é a idéia que temos sobre os dias. É comum ouvir alguém que este ou aquele dia foi bom, ruim, chato, pesado, tenso, ou até mesmo “o melhor da minha vida”… Estive pensando sobre isso, os dias, desconfio que seja apenas uma forma de organizar e categorizar o tempo e assim criar uma ‘caixinha’ ou divisão para esses ciclos de dia e noite que acorrem… Tudo bem que cada um vê de uma forma e tem o seu de acordo com suas condições, mas o que me tocou foi pensar no que eles de fato representam.

A vida é feita de dias felizes, nos outros é apenas a vida. Aqui está o resumo da minha conclusão, entretanto, cuidado com o que você pensará sobre isso. A vida nos outros dias é muito mais cheia de penumbra, decepção e dor do que inicialmente é possível imaginar, talvez até seja tema para discutir em outro momento… A vida é feita de alguns poucos e raros bons dias, seja pelo que for, e no resto é só aquela vida pesada, chata, compromissada e cheia de descaminhos.

Vivemos cada dia sem perceber o que ele foi, um dia que não volta mais, tanto aquele que você torceu pra acabar logo quanto aquele que deveria ser eterno. Por isso mesmo que o dia seja ruim é importante tentar vivê-lo com intensidade, bastante consciência de que ele “já era”, o modo como foi é uma consequência, desconsiderar sua perenidade é um risco que todos aceitam inconscientemente. Cada dia de trabalho, estudo, diversão, tristeza, felicidade… é um dia a menos na incerta quantidade de dias que foram reservados pra você, então como vivê-los da melhor maneiras possível? Não sei! Mas penso que só de pensar que ele é único já faz uma diferença enorme.

O que fazer?

    Em várias oportunidades da vida me deparo com a dificuldade em fazer as coisas. Penso que o grande problema não está propriamente em fazer algo, mas manter a idéia que fundamenta a razão de fazer tal coisa. Como é pesado o conceito de perseverança e continuidade. A vida oferece muitos elementos ao longo do tempo, que justificam a necessidade de agir com precaução e planejamento, e logicamente com metas e foco naquilo que queremos ou precisamos. Entretanto, não funciona de maneira simples como possa parecer para muitos.
    Não quero dizer que tudo seja fácil e que basta sermos centrados num objetivo para sermos felizes. É certo que muito do que precisamos fazer envolve diferentes níveis de habilidade, atenção, forca de vontade e é claro inteligência. Porém, acreditar que somente “pensar positivo” basta é ilusão. O tempo planta em nossas vidas muitas sementes, assim como deixa muitas marcas, manter-me firme em uma determinada direção, ao longo do germinar dessas sementes é o maior problema da vida. Acabo esquecendo do que me motivou a tomar certos caminhos, vou desviando aos poucos, sem notar para onde estou indo e percebendo quase sempre tarde que me perdi.
    A mudança é condição da existência. Fraquejar durante a execução das mudanças, obviamente, traz uma sensação de que não consigo mudar, que permaneço ao longo dos anos do mesmo jeito, e a vida, assim como as outras pessoas, estão seguindo seus rumos e eu parado no tempo. A pergunta inicial que me faço é “o que fazer” diante da vida, mas a questão sempre acaba se movendo para “como vou manter” as respostas que encontrei para a pergunta inicial.

A luta entre o ente e o ser

    Hoje é um daqueles dias em que tudo que lutamos para esconder aflora no momento mais impróprio possível, mas não menos provável. Tenho muitos medos, muitas incertezas e fraquezas, a luta contra eles é uma batalha diária e bem dura de suportar. Sistematicamente esta bolha estoura, inunda tudo ao redor, comprometendo situações e convicções daqueles que me amam e alimentam expectativas sobre mim. Que bom seria se eu pudesse controlar absolutamente meus anseios, acreditar na minha capacidade de superação sem titubear, e seguir o caminho da vida representando uma referência de solidez e confiança para quem muito espera de mim. Não sou dotado dessa capacidade de tudo superar e de ter certeza de que vou vencer sempre, aliás as vezes que venci me surpreendi com o resultado, ou não acreditei que fui o autor único de tal ação.
    O comportamento cotidiano acaba por iludir as pessoas, dando-as uma visão equivocada do que compõe de fato a essência do ser. Fantasmas do passado contribuem para o desespero, fazendo com que duvidem de mim, de minhas intensões e sentimentos. Por vezes eu deixo meus pensamentos dominarem minhas ações, minha boca, e conseqüentemente acabo magoando quem não merece. Sou um paradoxo, uma contradição, uma hipocrisia… sofro por mim, pelas idéias, pelos sentimentos, convicções, ações, ideais…
   Preciso ser forte para proteger e ajudar quem me ama, quem de mim muito espera. A necessidade de superação e perseverança é maior do que todas as outras, pois não posso esperar que o façam por mim e nem tão pouco que me compreendam, que entendam minhas idéias ou concordem comigo. Simplesmente manter-me no caminho e fazer o que preciso para cultivar quem eu amo e quem precisa de mim, agindo firme, forte e coerentemente sempre.

Porque olhar pra trás

    Profunda e vasta é a História da humanidade. Por razões diversas (didáticas, pragmáticas, orgânicas, culturais ou mesmo modismo) acabamos tendo um contato muito limitado da enorme arvore que constitui o ser humano, por isso acabamos limitados ao que é próximo de nossa realidade, aos nossos limites intelectuais, culturais, espaciais e religiosos. A História é um conhecimento que por padrão traz muito desconforto, abre a alma de forma irremediável e acaba com nossos sonhos mais infantis, por ser ela uma via para a reflexão através de fatos vividos e sofridos por nós: os seres humanos.
    Como é inquietante conhecer o passado, com todos os seus momentos que por si mesmos são um universo de sentidos. A mudança é uma das essências da História, pois nela é que se encontra os fatos, as mazelas, as alegrias, as revoluções e as tradições. Diante de tantos fatos negros não há como negar que a alma humana está impregnada de maldade, de crueldade, desigualdade. Somos de fato seres infelizes e transferimos isso para cada elemento do mundo em que estamos em contato, as pessoas que estão ao redor são receptoras de nossa infelicidade, entretanto são também receptoras de nossa dor, daí encontramos os ‘parceiros’ para realizarmos guerras, torturas, provocações, inveja… é neste mesmo ambiente que encontramos os nossos alvos.
   A felicidade é um estado ideal que criamos para tentar ignorar a dor. Partindo deste pensamento a infelicidade então é o estado natural de todos nós e justifica o nosso estado de embriaguez quando experimentamos momentos felizes (ou que cada um considera como tal). Somos tão mesquinhos que invejamos a felicidade alheia, não por querer viver aquilo, mas por sabermos que não vamos viver aquilo, por não acreditarmos, por não merecermos, por não termos coragem. A felicidade é um estado tão interessante que alguns vivem tentando se convencer de que a possuem, outros vivem tentando acreditar que ela exista, e temos ainda aqueles que não acreditam na sua existência por perceber que as pessoas fingem vive-la.
    Se ela existe de fato eu não sei, mas acredito que a vida, assim como a História, é constituída de muitos fatos, muitos agradáveis e da mesma forma os desagradáveis. Precisamos então é perceber o que foi de um tipo ou de outro, para podermos aproveitá-los ou evitá-los na próxima vez. Vou sorrir, vou chorar, vou viver e vou morrer. Sem sentido é viver a vida preso a algo que não tem definição, então como a História vamos fazer de nossa essência a mudança, o novo, a criação, a transformação, com isso na pior das hipóteses daremos cores e sabores diferentes tanto para a felicidade quanto para a sua ausência.
    Vamos viver sem esquecer de olhar pra trás, quem vê só um caminho é como o cavalo da carroça, que na verdade é guiado por outro animal. É possível que a infelicidade seja parte da nossa incapacidade de lembrar e principalmente avaliar o que vivemos. É infeliz aquele que não enxerga nada de bom em sua vida, talvez por não olhar para trás, talvez por não querer aceitar que as coisas sejam tão ruins quanto ele acredita ser.

E por falar em falar sozinho…

    Me incomoda muito essa tal sociedade da informação. Alguns entusiastas dizem que será a solução para as comunicações, os pessimistas dizem que é o fim da vida social. Eu não acredito em nenhum dos dois casos, penso que estamos caminhando rumo a uma sociedade em que todos falam e todos ouvem (ou não), entretanto, ninguém diz nada. São tecnologias da informação e comunicação certo? As informações são repetidas e normalmente pouco informam. A comunicação… Ah! A comunicação! Ai está um caso interessante. Podemos falar com qualquer pessoa do mundo, porém só falamos com aqueles que aprovam nossas idéias, nossos interesses, nossos assuntos… Os que estão fora disso são adubo para germinar os tais Trolls da internet.´
    A moda é falar de rede social, onde o capital é ter muitos “amigos”, o sentido é se mostrar e a comunicação é feita através dos mecanismos de marketing dos provedores dos serviços online. Surge então o twitter, onde você pode fazer tudo isso com a falsa sensação que está se comunicando por estabelecer as relações através de texto, ou os famosos 140 caracteres. Parece mais um hospício, pessoas falando sozinhas sobre assuntos relativamente interessantes, de forma superficial pela limitação textual imposta, outros falando da vida pessoal, reclamando, falando de Deus, de amor, de ódio…
    No final estamos sempre falando sozinhos nesse mundo virtual. É uma sensação constante de falar ao mundo que está de olho, mas que não responde. Falar sozinho é uma habilidade que desenvolvemos diariamente na internet. Se fosse um “falar sozinho” que servisse de auto reflexão… mas não é um falar sozinho com muitos traços de instabilidade psicológica, vazios sentimentais, ausências diversas.
    Escrever em blogs é a forma de falar sozinho mais louca ainda. No blog você fala mais, sem restrições, sem limites textuais, sem limites de espaço… então num blog você pode ser mais maluco que o normal, é como se fosse uma salinha onde você se prende e solta sua loucura sem medo. Falar sozinho pode até não ser loucura, internet pode ser uma coisa interessante e muito útil, comunicação sempre haverá; então onde está o problema? na falta de resposta ou na falta de idéias?

O fado em mim

    Certas coisas têm me dado indícios de que estou ficando velho. Apesar de minha relativa pouca idade, já apresento fios de cabelo brancos, gosto de bandas antigas, meus alunos tem pelo menos 17 anos a menos que eu, sem falar que fui testemunha ocular de eventos que constam nos livros de História. Em minha aulas posso dizer aos alunos com muita propriedade: “Meninos eu vi”! Inclusive essa frase também é de um narrador de futebol já considerado “das antigas”.
    O mais sintomático, porem, foi perceber o quanto o fado me toca. Digo isso por saber que antes eu classificaria qualquer pessoa que declarasse gostar deste estilo musical como velha. Fora outros elementos, como teimosia e manias, acredito estar me tornando uma pessoa muito contemplativa. O fado me traz um ambiente de quietude, tranqüilidade, reflexão e lembranças. Me pego lembrando de coisas e lugares que nunca vi ou visitei antes durante essas canções.
    Não sabe o que é fado?! É um estilo musical nativo de Portugal, que normalmente é cantado por uma única pessoa, com letras de temas variados, e cantando normalmente de forma melancólica e cheia de dor. Em mim é um estilo que causa saudade, pensamentos que se perdem pela noite, vontade de amar, acreditar no futuro por aquilo ser apenas uma lamentação do que se foi. Confesso que se estiver num daqueles dias… dá pra chorar com facilidade ouvindo um bom fado!
    Talvez pelo de ser brasileiro eu não entenda muito bem como funciona o fado, mas tenho a sensação de que é o tipo de música pra se ouvir sozinho. Sem falar o detalhe muito interessante: ouvir uma música estrangeira da qual se entende toda a letra. Gosto muito de ouvir a cantora Mariza, como ela canta bem. O vídeo abaixo é de uma música cantada por ela, uma das quais me traz a sensação de lembrar, não sei do que, mas que a sensação é essa não tenho dúvida.

 

Mariza – Fado em mim.