Profunda e vasta é a História da humanidade. Por razões diversas (didáticas, pragmáticas, orgânicas, culturais ou mesmo modismo) acabamos tendo um contato muito limitado da enorme arvore que constitui o ser humano, por isso acabamos limitados ao que é próximo de nossa realidade, aos nossos limites intelectuais, culturais, espaciais e religiosos. A História é um conhecimento que por padrão traz muito desconforto, abre a alma de forma irremediável e acaba com nossos sonhos mais infantis, por ser ela uma via para a reflexão através de fatos vividos e sofridos por nós: os seres humanos.
Como é inquietante conhecer o passado, com todos os seus momentos que por si mesmos são um universo de sentidos. A mudança é uma das essências da História, pois nela é que se encontra os fatos, as mazelas, as alegrias, as revoluções e as tradições. Diante de tantos fatos negros não há como negar que a alma humana está impregnada de maldade, de crueldade, desigualdade. Somos de fato seres infelizes e transferimos isso para cada elemento do mundo em que estamos em contato, as pessoas que estão ao redor são receptoras de nossa infelicidade, entretanto são também receptoras de nossa dor, daí encontramos os ‘parceiros’ para realizarmos guerras, torturas, provocações, inveja… é neste mesmo ambiente que encontramos os nossos alvos.
A felicidade é um estado ideal que criamos para tentar ignorar a dor. Partindo deste pensamento a infelicidade então é o estado natural de todos nós e justifica o nosso estado de embriaguez quando experimentamos momentos felizes (ou que cada um considera como tal). Somos tão mesquinhos que invejamos a felicidade alheia, não por querer viver aquilo, mas por sabermos que não vamos viver aquilo, por não acreditarmos, por não merecermos, por não termos coragem. A felicidade é um estado tão interessante que alguns vivem tentando se convencer de que a possuem, outros vivem tentando acreditar que ela exista, e temos ainda aqueles que não acreditam na sua existência por perceber que as pessoas fingem vive-la.
Se ela existe de fato eu não sei, mas acredito que a vida, assim como a História, é constituída de muitos fatos, muitos agradáveis e da mesma forma os desagradáveis. Precisamos então é perceber o que foi de um tipo ou de outro, para podermos aproveitá-los ou evitá-los na próxima vez. Vou sorrir, vou chorar, vou viver e vou morrer. Sem sentido é viver a vida preso a algo que não tem definição, então como a História vamos fazer de nossa essência a mudança, o novo, a criação, a transformação, com isso na pior das hipóteses daremos cores e sabores diferentes tanto para a felicidade quanto para a sua ausência.
Vamos viver sem esquecer de olhar pra trás, quem vê só um caminho é como o cavalo da carroça, que na verdade é guiado por outro animal. É possível que a infelicidade seja parte da nossa incapacidade de lembrar e principalmente avaliar o que vivemos. É infeliz aquele que não enxerga nada de bom em sua vida, talvez por não olhar para trás, talvez por não querer aceitar que as coisas sejam tão ruins quanto ele acredita ser.